Refúgio do JequitibáRefúgio do JequitibáCentro de Conservação e Pesquisa Nico Ferreira

Pesquisa

Ciência feita dentro da floresta.

A reserva hospeda pesquisadores que estudam a biodiversidade do fragmento e contribuem para a conservação de espécies ameaçadas da Mata Atlântica.

Sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) registrado em campo© Gabriel Buffe
Projeto em andamento · 2025–2026

Uso do habitat pelo sagui-da-serra-escuro

Bárbara Antonucci de Almeida · Mestrado em Biologia Animal · UFV

Monitoramento não invasivo como subsídio para manejo e conservação de Callithrix aurita (É. Geoffroy Saint-Hilaire, 1812) na Reserva Nico Ferreira — antigo Sítio Santo Antônio, em Visconde do Rio Branco (MG). Orientação: Prof. Fabiano Rodrigues de Melo. Coorientação: Gabriela Cabral Rezende e Josie Antonucci di Carvalho.

Período
2025–26
Unidades
13 UAs
IUCN
EN

Por que estudar o aurita

Um dos primatas mais ameaçados do mundo.

Endêmico da Mata Atlântica, o sagui-da-serra-escuro é classificado como Em Perigo pela IUCN e pelo MMA, e está entre os 25 primatas mais ameaçados do mundo. Sofre com a fragmentação florestal e com a competição e hibridação com saguis invasores. Estima-se que, em três gerações, restará pouco mais de 29% do habitat descrito para a espécie.

Objetivos

Compreender para conservar.

Investigar a influência da estrutura e composição da floresta sobre o uso e a ocupação do habitat por indivíduos de C. aurita em um fragmento de Mata Atlântica em Visconde do Rio Branco (MG).

  • 01

    Registrar a presença do aurita com armadilhas fotográficas e gravações acústicas, construindo uma matriz de detecção para modelagem de ocupação.

  • 02

    Investigar a presença de saguis invasores ou híbridos por análise fenotípica dos registros fotográficos.

  • 03

    Caracterizar a floresta — DAP, altura, cobertura do dossel, cipós, frutos — como covariáveis dos modelos de ocupação.

  • 04

    Orientar ações de manejo priorizando áreas com maior probabilidade de ocupação ou maior vulnerabilidade a invasores.

Métodos em campo

Monitoramento não invasivo, em duas estações.

13 unidades amostrais distribuídas no fragmento de ~60 hectares, com no mínimo 300 m entre si para garantir independência dos dados. Em cada UA: uma armadilha fotográfica, um gravador autônomo e uma parcela de 10×10 m para análise vegetativa. Coleta em 60 dias na estação seca (ago–set/2025) e 60 dias na chuvosa (fev–mar/2026).

Armadilhas fotográficas

Bushnell instaladas de 2 a 9 m no estrato médio, direcionadas a árvores frutíferas, cipós e bambuzais. Três fotos + vídeo de 20 s a cada disparo, com intervalo mínimo de 10 s.

Gravadores autônomos

AudioMoth fixados a ~3 m do solo, gravando das 6h às 18h — horário de atividade da espécie. Janelas de 2 minutos a cada 10, taxa de amostragem de 48 kHz.

Análise vegetativa

Em cada parcela 10×10 m: DAP ≥ 5 cm, altura, área basal, cipós, epífitas, frutos, conectividade e cobertura do dossel — covariáveis para os modelos de ocupação.

Bárbara Antonucci de Almeida em campo, observando o dossel da floresta
Bárbara em campo · escutando o dossel

Quem está em campo

A equipe que mantém a pesquisa viva.

Bárbara Antonucci de Almeida, mestranda em Biologia Animal pela UFV, conduz o estudo do sagui-da-serra-escuro na reserva. Dalia Amorim de Carvalho, também pós-graduanda, desenvolve investigações complementares utilizando o mesmo conjunto de dados de armadilhas fotográficas. Em campo, contam com Gabriel Buffe Gomes, aluno de graduação, na instalação e triagem das câmeras — um trabalho lento de revisar, identificar e catalogar cada disparo das câmeras espalhadas pelo fragmento.

Bárbara e Gabriel Buffe triando os registros de uma câmera trap no fragmento
Triagem das câmeras trap · com Gabriel Buffe
Equipe de pesquisa revisando os registros das armadilhas fotográficas em campo
Revisão dos registros · borda de mata
Publicação · 2026

Uso de ocos arbóreos como recurso hídrico para o sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita) em um fragmento de Mata Atlântica em Minas Gerais

Bárbara Antonucci de Almeida, Dalia Amorim de Carvalho, Gabriel Buffe Gomes, Natassha Calisa Tamada de Andrade, Josie Antonucci di Carvalho, Gabriela Cabral Rezende, Fabiano Rodrigues de Melo.

In: Livro de Resumos do II Simpósio da Pós-Graduação em Biologia Animal (UFV, 2026), p. 148–149.

Duas armadilhas fotográficas instaladas em frente a ocos arbóreos entre 45 cm e 1,4 m do solo (ago/2025 – fev/2026, 364 dias-câmera) registraram 45 eventos independentes de primatas do gênero Callithrix usando os ocos como fonte de água — 38 de C. aurita e 7 de híbridos. 73,7 % dos registros de C. aurita ocorreram na estação seca, embora esta represente apenas 30,8 % do esforço amostral (χ² = 31,18; df = 1; p < 0,001). Os ocos arbóreos atuam como microhabitats hídricos estratégicos para a espécie em paisagens fragmentadas, especialmente diante das mudanças climáticas.

Ler no Zenodo →Apoio: CAPES · CCSS · PPG Biologia Animal/UFV
Logo do Programa e Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS) — UFV

Parceria institucional

Em parceria com o CCSS e a UFV.

A pesquisa do Callithrix aurita na reserva é desenvolvida em parceria com o Programa de Conservação dos Saguis-da-Serra e o Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS) da Universidade Federal de Viçosa (UFV). O CCSS articula pesquisa, manejo e educação para conservar os saguis endêmicos da Mata Atlântica.

@ccssufv →
Dois indivíduos de Callithrix aurita observados em campo© Bárbara Antonucci
Grupo silvestre · Sítio Santo Antônio

Próximos passos

Projetos que queremos abrigar.

  • Bioacústica de aves do sub-bosque

    Monitoramento passivo com gravadores autônomos.

  • Conectividade florestal

    Estudo de corredores ecológicos entre fragmentos vizinhos.

  • Fenologia e mudanças climáticas

    Acompanhar a floração e frutificação ao longo dos anos.

  • Saúde de populações silvestres

    Em parceria com veterinários e laboratórios universitários.

Assoripa — Associação Rio-Branquense de Proteção aos Animais

Parceria desejada · One Health

Saúde única: cães domésticos × fauna silvestre, com a Assoripa.

A Assoripa — Associação Rio-Branquense de Proteção aos Animais cuida de cães abandonados na região do sítio. Nossas câmeras trap registram, com frequência, cães de rua circulando pelo fragmento — uma convivência entre animais domésticos e silvestres que pode trazer consequências graves: transmissão de doenças, predação e estresse sobre a fauna nativa. Queremos construir, em parceria, campanhas conjuntas de vacinação, castração e manejo responsável, protegendo ao mesmo tempo a saúde dos cães comunitários e da floresta.

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